Olimpíada de Língua Portuguesa 2014
A escola orgulhosamente parabeniza a professora Teresa Silva Dias pelo seu desempenho na Olimpíada da Língua Portuguesa – 2014 como vencedora do Relato de Prática – Poema, representando a região sudeste e à aluna Luana Mathias que foi semifinalista da Olimpíada da Língua Portuguesa – 2014 – Poema: “Princesinha do Norte”.
Princesinha do Norte
Colatina me inspira
A este poema escrever
Uma “pequena grande” cidade
Que a tantos viu nascer.
Desses tantos faço parte
E estou aqui a pensar...
São muitos anos de história
Mas não é difícil de contar.
Folheando alguns livros
Descobri o seu passado
Achei muito interessante
Aquilo que estava guardado.
É difícil de acreditar, mas
Índios aqui já viveram...
Moravam em verdes matas
Como os antigos descreveram.
Outra grande descoberta
Encontrei pelo caminho
Que no nosso rio Doce...
Navegou um “vaporzinho”
O rio desliza calmamente,
A cidade radiante vem abraçar.
E pôr do sol deslumbrante...
A todos só faz encantar.
Mesmo que eu ande pelo mundo
A trabalho ou a passeio...
Voltarei sempre à cidade
Que me abriga em seu seio.
Se estou fora, sinto saudades
Se estou aqui, sinto gratidão...
Pois suas belezas naturais
Fazem morada em meu coração
O Cristo Redentor lá do alto
Está sempre a iluminar...
A quem chega e a quem sai
Nunca deixa de abençoar.
Nossa cidade é conhecida
Como sendo a Princesinha
Mas no nosso coração...
Será sempre uma Rainha.
Luana Mathias
6º ano A
O verso que não queria sair
Este relato me dá oportunidade de reviver a caminhada que percorri ao longo desses meses trabalhando as sequências didáticas com diferentes tipos de poemas e de autores variados, obedecendo a uma progressão, visando ao meu objetivo que era a produção de poemas pelos meus alunos. É importante trabalhar qualquer tipo de gênero como instrumento para a compreensão da língua tendo como meta formar alunos que aprendam a ler e escrever de verdade. Com isso, o resultado é indiscutível, visto que a minha participação se transformou na vitória pessoal dos meus alunos e na revelação do potencial que muitas vezes eles não percebiam em si mesmos.
No meu município temos o FOCO – Programa de Formação Continuada. É um momento em que os professores de Língua Portuguesa reúnem-se periodicamente para rever assuntos relacionados ao ensino da Língua e trocar experiências de atividades desenvolvidas em sala de aula. Foi no primeiro encontro deste ano que a formadora da nossa área abordou a Olimpíada de Língua Portuguesa. Discutimos sobre o assunto, pelo qual sempre me interessei - já participei de outras edições - por reconhecer a importância do trabalho que a Olimpíada propõe. E foi aí que tudo começou...
Como sou professora do 6º ano/ 5ª série, o gênero já estava definido – poema. E agora, como começar? Fiquei imaginando mil maneiras de despertar o interesse dos meus alunos. Interessante é que uma aluna já havia me perguntado se não faríamos a Olimpíada de Língua Portuguesa, pois a escola participa também da Olimpíada de Matemática. Expliquei que iríamos fazer sim, mas que a nossa era diferente da Olimpíada de Matemática, não seria apenas uma prova. Disse que a de Português seria feita “devagarzinho”, com muitas atividades, chamadas oficinas, até chegar a hora criaram o próprio poema. Alguns alunos logo perguntaram: “O que vamos ganhar”? Eu, meio desapontada com o interesse unicamente material desses alunos, expliquei que não era hora de falar em prêmios, mas de aprender tudo de bom que as oficinas tinham para nos ensinar sobre poemas.
Comecei lendo poemas de Cecília Meireles – OU ISTO OU AQUILO e de Vinícius de Moraes – ARCA DE NOÉ - para os alunos e, não posso negar, eles gostam muito de ouvir, principalmente quando há rimas. Então pedi que trouxessem um poema de casa para o dia seguinte. Como já era previsto, alguns alunos não se interessaram pela atividade, dificultando a realização da dinâmica que seria aplicada. Esperando por isso, levei poemas para a sala e distribuí aos “inadimplentes”. Depois de ler os poemas - uns queriam ver o poema do outro - montamos o “mural de poemas” na sala de aula e toda vez que trabalhava uma característica desse gênero, recorríamos aos textos expostos para que identificassem a característica em estudo, como: “Qual poema tem mais versos?” “Qual tem menos estrofes?” “Qual não tem palavras que rimam?”
Outro momento do processo foi a escolha de livros de poesias na biblioteca. Cada aluno escolheu o que mais lhe agradou e ficou com ele por uns dias para estudo de leitura em casa, visando à apresentação em sala de aula. Infelizmente nem todos quiseram participar da atividade, uns por timidez, outros por desinteresse. Contudo, diante dessas atitudes inflexíveis, eu prossegui com o objetivo da atividade sem desvalorizar o trabalho dos demais alunos. Quando um deles lia “bem”, todos batiam palmas, mas quando não gostavam da leitura, externavam suas críticas. Para incentivá-los, eu também li alguns e declamei “A porta” de Vinicius de Moraes. Gostaram tanto, que até hoje pedem: “Professora, fala o poema da porta”. Fiz também um jogral com o poema “Trem de ferro” de Manuel Bandeira para a turma apresentar para outras classes. Os ensaios não foram fáceis, com brincadeiras e risos, mas depois de algumas advertências, conseguimos realizar a atividade com sucesso.
Uma oficina bem produtiva foi o trabalho com rima. Essa etapa foi muito prazerosa! Levei para a sala trovas populares, que são ricas em rimas e fáceis para eles assimilarem. Primeiro li algumas completas. Depois lia e deixava que eles completassem a última rima, o que faziam com certa facilidade. Fui dificultando, escrevia três versos, para completarem o último; depois escrevia dois versos para completarem os dois que faltavam e assim por diante, até que chegou a hora da produção independente de uma trova, apenas dando uma palavra como ponto de partida. Foi uma festa na sala, um queria ouvir a trova do outro. Quando gostavam, aplaudiam e diziam: “Nossa. Tem um poeta na sala!”. Entretanto, nem todos tiveram facilidade para essa atividade, observei que há alunos com baixa acuidade auditiva para rimar palavras. Eu tentava fazer com que esses alunos rimassem uma palavra de terminação fácil, mas mesmo assim apresentavam dificuldade em fazer a rima. Procurei diversificar as atividades até alcançar algum progresso com esses alunos.
Dando prosseguimento, pesquisei poemas que falavam sobre “cidades”, “terra natal”, “minha terra”... Levei para sala e li para as turmas com o intuito de despertar nos alunos a vontade de escrever sobre o lugar em que vivem. Li também alguns poemas vencedores das olimpíadas anteriores, enfatizando os diferentes assuntos abordados. Lamentavelmente, ouvi dos alunos: “Colatina não tem nada de bom para a gente falar”! Foi quando expliquei que poderiam falar também dos problemas existentes na cidade, despertando o senso crítico deles. Mas na hora de escrever, noto que essas crianças querem mesmo é falar sobre coisas boas e bonitas do lugar onde vivem, prevalecendo o ufanismo nato a respeito da terra natal.
Outra atividade enriquecedora foi no laboratório de informática, onde trabalhei as atividades disponibilizadas pelo portal da Olimpíada. Os alunos exercitaram de forma lúdica alguns elementos importantes para a criação de seus poemas: gostaram muito da Pesca das Rimas. A partir desses exercícios aconteceu o divisor de águas do projeto: mudou do pouco interesse de alguns pela matéria, para a vontade de desenvolver as propostas das demais oficinas. Quando eu entrava na sala, já perguntavam: “Hoje vai ter Olimpíada?”
Quando percebi que já podiam partir para a produção final, elaborei um roteiro para que cada um delimitasse o assunto sobre o qual escreveria o seu poema. Nesse roteiro, o aluno deveria observar informações sobre o que gostaria de descrever em seu texto: pontos turísticos, elementos naturais, o problema ambiental com o principal rio da cidade... Confesso que foi o momento mais difícil, pois muitos alunos não sabiam como começar. Nesse momento, lembrei-me do poema de Carlos Drummond de Andrade: “Gastei uma hora pensando um verso”. (Carlos Drummond de Andrade. Alguma Poesia. Record, SP, 7ª Ed. 2005, p.65.)
Gastei uma hora pensando um verso
Que a pena não quer escrever
No entanto ele está cá dentro
Inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
E não quer sair.
Pensei comigo: Se até Drummond tinha dificuldade, imaginem eu e meus alunos?
Escrevi então trechos de poemas que descrevem lugares para despertar a criatividade deles. Alguns conseguiram desenvolver a escrita, mas outros demoraram para começar. Interessante é que a maior preocupação deles era com as rimas. Frequentemente me perguntavam: “Professora, que palavra rima com tal palavra”? Eu escrevia várias no quadro que rimavam com as que eles falavam e ia orientando-os quanto à escolha da palavra mais adequada, e assim o texto ia sendo tecido. Com os poemas prontos, fui lendo aqui, refazendo ali, retocando mais um, de acordo com a necessidade, sempre com a participação do autor, que muitas vezes discordava da minha opinião.
Depois dessa primeira análise, expliquei que agora faríamos a reescrita dos textos porque é um componente fundamental do processo da escrita. Reescrever é um caminho indispensável para a formação de escritores competentes e autônomos. Esse é o momento em que o aluno tem a oportunidade de corrigir, acrescentar, excluir, procurando dizer de outro jeito aquilo que já foi escrito. Essa é uma tarefa um tanto quanto difícil, pois muitos resistem em reescrever seu texto. É preciso variar as como estratégias para entenderem a importância desse trabalho para qualquer escritor. Mas, uns com satisfação, outros somente pelo cumprimento do dever, a atividade chegou ao fim.
Assim caminhando, consegui acompanhá-los individualmente nessa fase e verificar de forma mais pontual suas dificuldades. O que me trouxe mais satisfação durante o desenvolvimento das atividades, foi o progresso verificado em alguns alunos que demonstravam certo bloqueio para a produção de textos, ou até desinteresse no início, apresentarem bom resultado ao final das oficinas.
Chegou a hora da seleção. Como sou a única professora da escola que estava participando com o gênero poema, os classificados sairiam somente das minhas turmas. Não foi uma tarefa fácil, uma vez que cada um achava que seria o escolhido, acreditando que o seu poema era o melhor. Isso é uma comprovação de que o objetivo da Olimpíada, aprimorar a escrita e a leitura, visando à diversidade dos gêneros e dos falares foi alcançado: proporcionou a confiança do criador em sua obra. Depois de ler, reler, ler, reler..., escolhi os mais interessantes para serem lidos pela comissão escolar. A equipe fez a leitura e, após a análise dos textos, enviou o poema escolhido para a etapa municipal.
Agora era só esperar...
Que alegria! Recebemos o resultado e... o poema da minha aluna havia sido selecionado para a etapa estadual.
Vamos esperar...
Que alegria! Recebemos o resultado e... o poema da minha aluna fora selecionado para a etapa regional. Foi muito gratificante para mim, para a aluna e para toda a escola. E agora? Euforia e ansiedade se misturam. Para onde vamos? Sabíamos que seria para uma capital. Sem esperar, veio a notícia: será em Belo Horizonte! O coração começou a bater mais forte. Comuniquei à aluna, à mãe da aluna... Foi um misto de sentimentos: satisfação, expectativa, preocupação, entusiasmo...
Ah...! A aluna a que me referi no início do relato, que perguntou se não faríamos a olimpíada, é Luana Mathias, a semifinalista da Olimpíada.
Agora é só esperar...
(Teresa Silva Dias – EMEF MARIA DA LUZ GOTTI – Colatina –ES)
A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro desenvolve ações de formação de professores com o objetivo de contribuir para a melhoria do ensino da leitura e escrita nas escolas públicas brasileiras.
A Olimpíada tem caráter bienal e, em anos pares, realiza um concurso de produção de textos que premia as melhores produções de alunos de escolas públicas de todo o país. Participam professores e alunos do 5º ano do Ensino Fundamental (EF) ao 3º ano do Ensino Médio (EM), nas categorias: Poema no 5º e 6º anos EF; Memórias no 7º e 8º anos EF; Crônica no 9º ano EF e 1º ano EM; Artigo de opinião no 2º e 3º anos EM. Nos anos ímpares, desenvolve ações de formação presencial e a distância, além da realização de estudos e pesquisas, elaboração e produção de recursos e materiais educativos.
Uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) e da Fundação Itaú Social, com coordenação técnica do Cenpec — Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, a Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro tem como parceiros na execução das ações o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o Canal Futura.
Para mais informações:
https://www.escrevendoofuturo.org.br/conteudo/formacao/relatos/artigo/1795/relatos-de-pratica-vencedor-2014-prof-teresa-silva-dias
http://simnoticias.com.br/site/index.php/municipios/item/13989-aluna-de-colatina-entre-finalistas-da-olimpiada-de-lingua-portuguesa/13989-aluna-de-colatina-entre-finalistas-da-olimpiada-de-lingua-portuguesa
http://simnoticias.com.br/site/index.php/municipios/item/13989-aluna-de-colatina-entre-finalistas-da-olimpiada-de-lingua-portuguesa/13989-aluna-de-colatina-entre-finalistas-da-olimpiada-de-lingua-portuguesa


